Era dia 11 de janeiro de 2012. Estávamos eu e a rafaméia no intervalo - apelido "carinhoso" da minha turma - bem quietinhos discutindo sobre a tão temida escolha de qual curso superior rondava a cabeça de cada um ali. Era uma coisa comum de se ver em escolas com ensino médio, ainda mais entre alunos já prestes a cursar o ultimo ano, como agente. As perguntas O que você vai tentar? ou Quais suas escolhas? ou mesmo Já se decidiu? eram as últimas coisas que você que nem mesmo sabe o que quer da vida profissionalmente gostaria de ouvir. Alguém como eu. Não que eu seja uma sem futuro que não tenha dedicado um minuto se quer do meu dia a fim de pensar em alguma coisa que alguém quando olhasse, dissesse: Caramba, Alanna, isso é a sua cara! Mas não. Eu tinha que gostar de várias coisas ao mesmo tempo.
Minha mãe ligava a TV sempre em um horário, e eu sabia que ela estava esperando alguma coisa, porque eu também estava. A espera era pelo passatempo favorito das pessoas que se encontravam na mesma idade dela, o que não seria delicado de comentar. Havia reviravoltas, amores possíveis e impossíveis, pessoas de todos os gêneros e gostos, tudo isso resumido em um único lugar. A espera era pelas novelas. Eu não sabia exatamente o que fazia essas pessoas ficarem quase a noite toda com suas "bundas" coladas na cadeira, assistindo uma e já ansiando pela próxima. Mas a medida que o tempo passava, eu percebia que o que elas queriam não era deixar de curtir a vida lá fora, mas sim se sentir como a mocinha, ou talvez o vilão... Meu papel ali não era me tornar uma viciada em televisão. O que me atraia mesmo era o que estava por detrás de toda aquela encenação: os textos. Era poder inventar personagens, tramas amorosas, florestas de pirulitos, um planeta onde não tivesse baratas... enfim, eu queria aflorar minha imaginação. Claro que eu naquela época - e ainda agora - não tinha conhecimento de como funcionava para tudo aquilo acontecer. Fiz milhares de testes vocacionais, e minha criatividade misturada com minha escrita juntinho com minha fome eterna de livros me levaram a um lugar: Comunicação Social. E, desde então, me senti inteiramente atraída, principalmente por causa da ideia de trabalhar com a ferramenta que eu mais gosto e domino: a arte de escrever. Quero dizer, quem não gostaria de trabalhar por amor? Dinheiro não é tudo.
A discussão ainda não havia cessado na cantina. Uns disseram pensar profundamente em Medicina, outros se sentiram ligados a algum tipo de Engenharia, e quando chegou minha vez de responder... "Não sei de nada e nem qual curso fazer. Só sei que quero escrever!" Um amigo meu, sem eira nem beira, balançou a cabeça em desaprovação e comentou: escrever não dá dinheiro não. Meu primeiro instinto foi de perguntar o porquê daquela opinião sem escrúpulos, pelo menos para mim. E, novamente, ele falou: uma coisa sem futuro, simples. E com um discurso promissor na ponta da língua citei sobre o quão feio e errado era aquela atitude preconceituosa com relação ao caminho escolhido por mim. Lembrando a parte em que abri aspas para falar uma grande filosofia dita por um grande professor meu "Você ganha dinheiro naquilo que você é bom". Depois que ele pareceu ter repensado no que havia dito, falou pela última vez: Não, não entenda mal. Mas é que não são todas as pessoas que se dão bem com isso. É uma em um milhão! E para poder terminar a conversa e, aproveitando, o texto, respondi: Sim, claro que não vão ser todas, porque eu vou ser essa uma em um milhão, acredite.
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