Ele estava sentado no chão com a maquininha sobre suas pernas. Objeto antiquado, ele sabia, mas não trocava por nada o prazer que o estalar de dedos nas teclas o presenteava. O café já estava extremamente frio, e algumas de suas gotas acrescentavam alguma coisa a mais ao chão sem graça e arranhado que sustentava não só o seu corpo e os móveis daquela sala, mas a sua falta de ideia. Falta de inspiração, usando uma palavra mais agradável. O cheiro de madeira velha, as cores pastel... Tudo o incomodava ali. Ele estava mais concentrado no que estava causando aquele incomodo todo do que com as palavras que ardiam por serem rasgadas e exploradas. Cansado disso, tomou a chave do seu quatro rodas e resolveu sair por ai alimentando seus olhos de coisas que fizessem trazer à tona a maravilha que era escrever e se completar. E conseguiu o que queria. Voltou, e mal colocando aquela máquina em seu colo novamente, seus dedos incontroláveis passaram a compor a mais bela melodia que move qualquer amante da escrita: o estalar da inspiração.
A inspiração é uma safada, né? Vive fugindo, indo embora sem dar satisfações...
ResponderExcluirA minha é altamente temperamental. É só eu precisar dela que ela desaparece alegando muita cobrança.
Mas quando ela volta... Ah, que realização.
Beijo!
É uma safada sim, Milena! rs
ExcluirMas em meio a toda essa safadeza, quando ela aparece, ela brilha, não acha?
Super beijo.